Jane Austen e suas releituras

Veja a entrevista com a presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil, Adriana Zardini.

Anjos e Demônios

Será que essa adaptação foi aprovada pela Equipe No Set?

Coluna do leitor traz Eu, Robô

Petras Furtado fala sobre a adaptação do livro de 1950.

Across the Universe

Para comemorar a semana do Rock nada melhor que uma boa adaptação sobre o tema.

The Vampire Diaries

A adaptação pode ser melhor que o original? Isso você vê aqui!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A volta dos Muppets

Caco, Miss Piggy, Fozzie, Animal e Gonzo. Você sabe de quem estou falando? Se você foi criança nos anos 80 e 90 deve ter ligado os nomes ao programa Muppets Babies! O sucesso infantil nessas duas décadas ganhou sua versão  para o cinema – com estréia marcada para dezembro - com os personagens que cativaram milhões de crianças no mundo inteiro e o trailer oficial foi divulgado hoje.



Na adaptação produzida pela Disney, o maior fã dos Muppets de todo mundo, Walter, está de férias em Los Angeles com seus amigos Gary e Mary. Eles acabam descobrindo o plano do vilão e magnata do petróleo Tex Richman para destruir o Teatro Muppets e perfurar um poço de extração de petróleo no local. Para salvar o teatro, eles precisam arrecadar 10 milhões de dólares. Então, Walter, Mary e Gary tentam reunir os Muppets para montar o The Greatest Muppet Telethon Ever, pois cada um abandonou o show para investir em outra profissão.

Os Muppets conta com nomes como Jason Segel, Amy Adams e Chris Cooper no elenco. Por enquanto que essa adaptação não chega por aqui, vamos conferir o trailer do filme dos fantoches mais queridos do mundo?

O Caçador de Pipas: até onde o ser humano chega com a covardia

Na crítica de hoje vamos falar sobre a adaptação para o cinema do romance escrito por Khaled Hosseini chamado “O caçador de pipas”, um sucesso de vendas no mundo. O caçador de pipas é uma narrativa que expõe a crueldade e a covardia do ser humano de modo nu e que revela a traição de uma amizade pura e desinteressada. Mostra também o preconceito e a discriminação de uma sociedade desigual, mesquinha, intolerante e desumana, deturpadora da religião e podre politicamente.



A história se passa em Cabul/Afeganistão, nos anos 70. Amir, de etnia pashtuns (muçulmano sunni), e rico; e Hassan, de etnia hazara (muçulmano shi’a), pobre e empregado da casa, cresceram juntos compartilhando brincadeiras e gostos. Não havia nada que Ami pedisse que Hassan não fizesse. O filho do empregado era fiel e dedicado à família à qual servia. Era corajoso e de uma dignidade incomparável.


De Ami não podemos falar a mesma coisa. Covarde é o sobrenome. De nobreza somente o dinheiro e embora soubesse ler e escrever, muitas vezes o sábio era Hassan, o menino de lábio leporino. Os dois garotos são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americano e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 75, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção.



Após desperdiçar a última chance (o filho do patrão, após ver Hassan ser estuprado covardemente por outros garotos ricos medíocres, machistas – mas homossexuais – simula o furto de um relógio, colocando o objeto nas coisas do filho do empregado), Amir vai para os USA, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão. Mas o destino o faz voltar vinte anos depois do acontecimento com Hassan e a pipa azul à sua terra natal para acertar as contas com o passado.


A narrativa do livro é intensa, detalhista e verdadeira. É envolvente a ponto de despertar sentimentos (bons e ruins) ao longo do desenrolar dos fatos, com revelações chocantes e que explicam atitudes mal compreendidas por Amir em relação ao carinho de seu pai pelo menino leporino.


O livro foi lançado em 2006 e adaptado para o cinema em 2007. Teve direção de Marc Forster e roteiro de David Benioff. As diversas opiniões dos leitores apontam para satisfação com o filme. De fato, o roteiro conseguiu expressar o drama dos amigos/irmãos, além do drama social no qual o país se encontrava naquele ano.


As duas principais cenas do filme (que é o momento em que Hassan ainda menino é violentado e a cena onde Amir finalmente encontra-se com seu sobrinho e resgata-o) conseguiram ser impactantes e discretas ao mesmo tempo. A primeira foi trabalhada de modo que desse a entender o sofrimento e a humilhação do estupro sem que houvesse necessidade de explicitá-la como o livro fez. E a segunda foi a redenção dos pecados do passado, mostrou a coragem adormecida dentro do homem que nunca esqueceu a caça aquela pipa azul. Recomendo primeiro a leitura do livro e depois o filme.




sexta-feira, 15 de julho de 2011

Bruxaria e robótica no cinema

Nossa categoria de Novidades destaca os dois principais filmes que estrearam hoje nos cinemas brasileiros. Duas promessas de bilheteria: Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2 e Transformers 3: O lado oculto da lua.
Começamos com o filme que está roubando literalmente a cena da indústria cinematográfica. Os fãs de J.K. Rowling estão eufóricos. Finalmente o último filme da saga Harry Potter estreou, colhendo boas críticas. Segundo os sites e redes sociais de relacionamento a segunda parte das Relíquias da Morte “conserta” alguns atropelos dos filmes anteriores com chave de ouro. Confiram o final épico de Harry Potter nas salas de cinema em todo o Brasil. (A equipe No Sett também vai conferir e postar uma crítica)




O segundo e não menos importante, mas um pouco ofuscado pelo brilho do jovem bruxo, é Transformers 3: O lado oculto da lua, que tem como enredo o mistério sobre a corrida espacial entre EUA e URSS. Os Transformers tiveram um papel decisivo, após se envolverem no desespero tecnológico dos seres humanos. E este é um dos segredos mais perigosos da Terra. A direção é de Michael Bay e conta com o seguinte elenco:



Shia LaBeouf, Josh Duhamel, Rosie Huntington-Whiteley, Ken Jeong, John Malkovich e Patrick Dempsey.

Do mangá direto para a telona

A Warner Bros. está preparando mais uma adaptação de histórias em quadrinhos! Dessa vez quem ganha uma versão para as telonas é o mangá japonês Akira. Em 2008, o estúdio desembolsou alguns milhões pelos direitos sobre a obra de Katsuhiro Otomo – que também virou um longa de animação em 1988 – e pretender entregar o projeto nas mãos do diretor espanhol Jaume Collet-Serra (A casa de cera (2005), A órfã (2009) e Desconhecido (2011)).



O estúdio já tem orçado 90 milhões para a produção do longa e já há nomes contados para estrelarem o filme. Robert Pattinson, Andrew Garfiel e James McAvoy estão disputando o papel do personagem Tetsuo (melhor amigo do principal). Já Justin Timberlake, Garret Hedlund, Chris Pine e Joaquin Phoenix estariam concorrendo para ser o protagonista, Kaneda.

Para quem não conhece, o enredo se passa na cidade Tóquio após a Terceira Guerra Mundial, onde o líder de uma gangue de motoqueiros (Kaneda) atropela uma criança misteriosa (Akira), então fugitiva de um programa de investigação do governo. O motoqueiro é confundido com o paciente e é levado a um hospital, onde é submetido a experimentos secretos que lhe dão poderes.

Enquanto o filme não chega às telonas vamos relembrar um pouco do longa de animação?

Nosso leitor opina sobre Eu, Robô

Hoje aqui no blog, nós teremos uma participação bem especial de um fã da sétima arte e grande conhecedor da obra Isaac Asimov que deu origem à adaptação Eu, Robô. Petras Furtado é repórter cinematográfico e tem um blog bem interessante sobre cinema. Após a apresentação, vamos logo ao que interessa: a opinião desse leitor sobre a adaptação protagonizada pelo americano Will Smith. 

“O primeiro livro — que não fosse infantil ou escolar — que li chamava-se Eu, Robô, uma pequena compilação de contos de um escritor chamado Isaac Asimov. Na época, chamaram-me a atenção o pequeno volume de páginas (fácil de ler!) e a capa com um robô, o que para minha imaginação de menino, era algo irresistível. Embora tivesse sido lançado originalmente em 1950, a coletânea só chegou no Brasil (e especificamente, às minhas mãos) em meados dos anos 70. Mas eram estórias maduras e que apresentavam várias camadas de compreensão e detalhes, já que a continuei lendo nos próximos dez anos. Foi minha primeira imersão no universo de ficção científica.



O livrinho continha nove contos que mostravam o panorama de um futuro aparentemente próximo, onde destacavam-se os elementos que depois seriam um padrão nas narrativas de robôs de Isaac Asimov: A fria e mal-amada robopsicóloga Susan Calvin (a serviço da fábrica de renome mundial Robôs e Homens Mecânicos U.S.), as Três Leis da Robótica (que restringiam o comportamento de um robô, impedindo que ele pudesse ferir um ser humano) e a repercussões morais que resultavam da interação entre os robôs e a sociedade humana. 


Os primeiros contos mostravam robôs como um elemento experimental da indústria, equipados com corpos nitidamente artificiais e os famosos cérebros positrônicos, computadores capazes do mesmo esforço racional de um ser humano — apesar da falta de emoções. As três leis da robótica tornaram-se tão populares, que muitos escritores de ficção científica passaram a copiá-las ou usá-las como referência:

1. Um robô não pode ferir um ser humano, ou, por inação, permitir que um ser humano se fira;

2. Um robô deve obedecer a todas as ordens de um ser humano, exceto quando esta entrar em conflito com a primeira lei;

3. Um robô deve proteger sua existência, desde que isso não entre em conflito com a primeira e segunda leis.



Já o filme de 2004, dirigido por Alex Proyas e estrelado por Will Smith, que se passa no ano de 2035, mostra um futuro quase utópico, onde os robôs são uma visão comum nas ruas de uma Chicago, em uma grande variedade de serviços públicos.


O núcleo do filme gira ao redor da investigação do assassinato do cientista em robótica Alfred Lanning, pelo detetive Del Spooner. Ambos eram amigos, já que Lanning era responsável pela cirurgia que salvou a vida de Spooner, em um acidente ocorrido vários anos antes, do qual também se origina o desgosto de Spooner pelos robôs.



A partir daí temos segredos corporativos, intrigas e um interesse romântico (entre Del e Susan Calvin, assistente de Lanning e literalmente apaixonada por robôs) que parece nunca se concretizar. Acrescente a isso um supercomputador corporativo excessivamente zeloso e um robô suspeito do assassinato de Lanning, que sonha com um futuro onde ele lidera outros robôs como uma espécie de revolução ou insurgência  — uma referência direta a um conto de Asimov chamado Visões de Robô, que aparece na coletânea de mesmo nome. Outra referência é ao conto Conflito Evitável, onde supercomputadores funcionam como administradores globais, por acreditarem que são capazes de dirigirem a humanidade melhor que nós mesmos.


Os contos e romances robóticos de Asimov são geralmente de natureza reflexiva, onde seus heróis vencem os obstáculos ao redor com astúcia, intelecto e muito bom humor — o que não acontece no filme, que é uma receita clara de blockbuster com muita ação, multidões de robôs para serem despedaçados pelos tiros do protagonista, perseguições de automóveis, reviravoltas previsíveis e o clímax óbvio.


O que se salva, talvez, na película, seja o apelo visual do filme, limpo e claro, uma narrativa ágil que não dá sono, e o design dos robôs, que denota, em especial, a mudança de geração dos robôs mais velhos para os mais novos — estes, com aparência mais humanizada, com formas suaves e um jeitão meio Microsoft (o que mete um certo medo).


Se colocarmos os dois na balança, veremos que há pouco do autor original neste filme, e este pouco não chega a fazer uma diferença. Se era para fazer um filme de ação de ficção científica, não era necessário tentar fazer pensar o público, que é tudo que Eu, Robô consegue. Diversão, sim, entretenimento puro e simples.

Mas é só.



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